FIDE
Algo daqui, dali, d'além
AS
LIÇÕES DA VIDA
Passou depressa. De repente e, assim, tudo mudou.
Não é mais a vida que procuramos, não é mais a estrada que percorremos, nada é
o que queríamos ter. Mas, a vida é desta forma mesmo. Confúcio já dizia que é
um rio do qual não se pode mudar o seu curso. Quer queira, quer não,
trabalhamos direta e indiretamente para termos e sermos o que somos hoje.
Alguns de nós quando olha para o passado vêem arrependimento e mágoa. Outros
vêem no passado tudo o que nos trouxe até aqui. Não seríamos o que somos se não
tivéssemos vivido o que vivemos.
É fato que algumas lições foram mais assimiladas que
outras. É fato, também, que algumas lições foram ministradas de maneira tão
árdua que nos fez reavaliarmos todos os nossos conceitos. Algumas coisas
mudaram de maneira tal e tamanha que não podemos mais mensurar se nos tornamos
pessoas melhores ou piores, apenas continuamos vivos. Com a trajetória que
vivemos começamos a entender que tudo o que o dinheiro pode comprar não
preenche o vazio de nossa própria existência. Então, perguntamos, por que
existimos? Era isso o que Deus tinha para mim? Que relevância tem a minha vida?
O que nos torna tão egoístas é a ausência de
propósito. Adotamos uma autopreservação selvática porque não entendemos o
propósito de nossas existências. Por isso, nos envolvemos em diversas
atividades, abraçamos causas alheias, nos ocupamos com currículos, cursos ou
enriquecer, que é o que ocorre com a maioria. Contudo, se o que fizermos for
ausente de compaixão, não nos preencherá. A compaixão é o que dignifica as nossas
ações, porém, não é possível praticar compaixão fora de nossas casas enquanto a
nossa própria família sente a nossa falta. Além dos problemas de exercer o bem
ao próximo estranho, há o problema de não exercê-lo em nosso ceio familiar. O
apóstolo Paulo tem frases muito fortes para a família, das quais:
I Timóteo 3:4 e 5: Que governe bem a sua própria
casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda modéstia, porque se alguém não
sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?
I Timóteo 5:8: Mas, se alguém não tem cuidado dos
seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel.
Estas são frases duras. Muitas vezes queremos ser
humanitários a estranhos quando somos carrascos em nosso lar. O que falta é
amar de forma consciente. O amor tratado na Bíblia é traduzido para nós a
partir da palavra grega ágape. O grego possui quatro verbos distintos que
designam amor. O fileo, que é utilizado para designar um relacionamento de
amigos; o eros, que é utilizado para designar um relacionamento marital ou
sexual; o storge que é utilizado para amor familiar; e o ágape, que é utilizado
na Bíblia especificamente para explicar o amor que Deus sente pelo ser humano e
o amor que os fiéis cristãos devem exercer uns para com os outros.
A grande diferença deste amor ágape é que se trata
de um amor racional. Os demais amores traduzidos do grego representam afeto ou
atração. O ágape representa decisão. Ele é melhor compreendido quando lemos as
seguintes passagens:
Romanos 5:8: Mas Deus prova o Seu amor (ágape) para
conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores;
I João 3:16: Conhecemos o amor nisto: que Ele deu a
sua vida por nós e nós devemos dar a vida pelos irmãos;
I João 4:11: Amados, se Deus assim nos amou, também,
nós devemos amar uns aos outros;
O amor de Cristo tem origem em um propósito, a
saber, o de redimir a humanidade. Ninguém abdicaria de sua própria vida para
corrigir o erro dos outros. Ainda que por mais forte, o amor humano hesita
antes de renunciar a certos hábitos em benefício de ambos. É por isso que o
apóstolo Paulo diz acerca dEle:
Filipenses 2:8: E, achado na forma de homem,
humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
O amor de Cristo é um amor inteiramente racional,
nascido na mente, e não no coração. Havia duas possibilidades para o pecado: um
sacrifício perfeito ou a extinção da criação contaminada. Ele decidiu a
primeira alternativa. Este é o sacrifício genuíno, este é o amor verdadeiro. Um
amor que faz aquilo que é correto aos olhos de Deus, não poupando sequer a si
mesmo. É o amor que devemos ter e que, se não o exercermos, não seremos salvos:
I João 3:14: Nós sabemos que passamos da morte para
a vida, porque amamos os irmãos, quem não ama a seu irmão permanece na morte;
I João 4:7: Amados, amemo-nos uns aos outros, porque
o amor é de Deus, e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus;
I João 4:8: Aquele que não ama não conhece a Deus,
porque Deus É amor;
I João 4:20: Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a
seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode
amar a Deus, a quem não viu?
É certo que sabemos e entendemos o que a Bíblia
requer de nós. Contudo, muitas vezes nos indagamos em quem seria o nosso
próximo, ou como amar verdadeiramente. Circula na internet uma pesquisa
realizada com crianças por profissionais de psicologia e educação acerca do
significado da palavra amor. Veja como algumas crianças definiram amor:
Amor é quando alguém te magoa, e você, mesmo muito
magoado, não grita, porque sabe que isso fere seus sentimentos - Mathew, 6 anos
Quando minha avó pegou artrite, ela não podia se
debruçar para pintar as unhas dos dedos do pé. Meu avô, desde então, pinta as
unha para ela. Mesmo quando ele tem artrite - Rebecca, 8 anos
Eu sei que minha irmã mais velha me ama, porque ela
me dá todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras - Lauren,
4 anos
Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são
muito amigos, mesmo conhecendo há muito tempo - Tommy, 6 anos
Quando alguém te ama, a forma de falar seu nome é
diferente - Billy, 4 anos
Amor é quando você sai para comer e oferece suas
batatinhas fritas, sem esperar que a outra pessoa te ofereça as batatinhas dela
- Chrissy, 6 anos
Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai e
toma um gole antes, ara ter certeza que está do gosto dele - Danny, 6 anos
Amor é o que está com a gente no natal, quando você
pára de abrir os presentes e o escuta - Bobby, 5 anos
Se você quer aprender a amar melhor, você deve
começar com um amigo que você não gosta - Nikka 6 anos.
Quando você fala para alguém algo ruim sobre você
mesmo e sente medo que essa pessoa não venha a te amar por causa disso, aí você
se surpreende, já que não só continuam te amando, como agora te amam mais ainda
- Samantha , 7 anos
Há dois tipos de amor, o nosso amor e o amor de
deus, mas o amor de deus junta os dois - Jenny, 4 anos
Amor é quando mamãe vê o papai suado e mal cheiroso
e ainda fala que ele é mais bonito que o Robert Redford - Chris, 8 anos
Durante minha apresentação de piano, eu vi meu pai
na platéia me acenando e sorrindo. Era a única pessoa fazendo isso e eu não
sentia medo - Cindy, 8 anos
Não deveríamos dizer eu te amo a não ser quando
realmente o sintamos. e se sentimos, então deveríamos expressá-lo muitas vezes.
As pessoas esquecem de dizê-lo - Jessica, 8 anos
Amor é se abraçar, amor é se beijar, amor é dizer
não - Patty, 8 anos
Amor é quando seu cachorro lambe sua cara, mesmo
depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro - Mary Ann, 4 anos
Deus poderia ter dito palavras mágicas para que os
pregos caíssem do crucifixo, mas ele não disse isso. Isso é amor - Max, 5 anos
Esta maneira inocente de enxergar o sentimento é a
mesma maneira com a qual Deus nos amou. Apesar de sabermos o amor que devemos exercer,
relutamos com desculpas esdrúxulas. Por exemplo, quem seria o nosso próximo
para que o amássemos? Jesus, também, deixou isso explicado:
Lucas 10: 30 E, respondendo Jesus,
disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores,
os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
É a parábola do Bom Samaritano. O texto não diz quem
era esse homem, de onde era, o que fazia, qual a sua cor, a sua profissão, a
sua origem, se era de boa família, se era solteiro, se era casado. Ele era
apenas um homem qualquer. Este é o meu próximo. Um homem qualquer que precisa
de meus cuidados, de minha atenção, de uma palavra que só eu possuo, de um
carinho que só eu tenho. A Bíblia se explica, aliás, esta é uma das regras da
hermenêutica bíblica. Porém, o mais terrível nas leituras bíblicas é a responsabilidade
que ela nos traz na medida em que a conhecemos. Tornamo-nos mais e mais
responsáveis diante de Deus pelo conhecimento da Palavra, já que ela nos
tornará indesculpáveis no dia do Juízo:
Lucas 12:48: Quem me rejeitar a mim, e não receber
as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o
há de julgar no último dia.
O conhecimento da Bíblia trará sobre nós a nossa
própria sentença. Aquilo que conhecíamos e deixamos de fazer. O pecado que
sabíamos e mesmo assim o cometemos. Estas coisas não são relevadas quando as
praticamos apesar de saber que o coração de Deus as despreza. Quando ignoramos
a realidade das escrituras sequer somos ouvidos por Deus:
João 9:31: Ora, nós sabemos que Deus não ouve a
pecadores, mas, se alguém é temente a Deus e faz a Sua vontade, a esse ouve.
É por isso que dizemos que ser cristão é algo muito
difícil. Aprender a viver é o primeiro passo para uma vida saudável. Aprender a
ser cristão é o primeiro passo para a sabedoria. É por isso que, as vezes, Deus
imprime em nossas almas lições que só vieram a grave custo. Algumas destas
lições não podem ser esquecidas.
Elas têm o objetivo de melhorar nossa índole, nosso
caráter. Afinal, se vivermos sempre ao nosso gosto seremos parecidos com o
Diabo. O Diabo é a única criatura que preferiu viver segundo os seus próprios
preceitos e abandonar a convivência com Deus. Será que muitas vezes não estamos
caminhando na mesma direção? Nós agredimos uns aos outros, soltamos palavras
ásperas, desobedecemos a Deus, tudo para realizar o desejo oculto de nosso eu,
seja este desejo justo ou hediondo. Ser liberto não é fazer tudo o que quer,
mas, ter a condição de discernir o que é melhor. Da internet, também, extraímos
as cinco melhores lições para a vida:
-
Primeira lição: Durante meu segundo mês na escola de enfermagem,
nosso professor nos deu um questionário. Eu era bom aluno e respondi rápido
todas as questões até chegar a última que era: "Qual o primeiro nome da
mulher que faz a limpeza da escola?". Sinceramente, isso parecia uma
piada. Eu já tinha visto a tal mulher várias vezes. Ela era alta, cabelo
escuro, lá pelos seus 50 anos, mas como eu ia saber o primeiro nome dela? Eu
entreguei meu teste deixando essa questão em branco e um pouco antes da aula
terminar, um aluno perguntou se a última pergunta do teste ia contar na nota.
“É claro!”, respondeu o professor. “Na sua carreira, você encontrará muitas
pessoas. Todas têm seu grau de importância. Elas merecem sua atenção mesmo que
seja com um simples sorriso ou um simples "alô". Eu nunca mais
esqueci essa lição e também acabei aprendendo que o primeiro nome dela era
Dorothy.
-
Segunda lição: Na chuva, numa noite, estava uma senhora negra,
americana, do lado de uma estrada no estado do Alabama enfrentando um tremendo
temporal. O carro dela tinha enguiçado e ela precisava, desesperadamente, de
uma carona. Completamente molhada, ela começou a acenar para os carros que
passavam. Um jovem branco, parecendo que não tinha conhecimento dos
acontecimentos e conflitos dos anos 60, parou para ajudá-la. O rapaz a colocou
em um lugar protegido, procurou ajuda mecânica e chamou um táxi para ela. Ela
parecia estar realmente com muita pressa mas conseguiu anotar o endereço dele e
agradecê-lo. Sete dias se passaram quando bateram à porta da casa do rapaz.
Para a surpresa dele, uma enorme TV colorida estava sendo entregue na casa dele
com um bilhete junto que dizia: "Muito obrigada por me ajudar na estrada
naquela noite. A chuva não só tinha encharcado minhas roupas como também meu
espírito. Aí, você apareceu. Por sua causa eu consegui chegar ao leito de morte
do meu marido antes que ele falecesse. Deus o abençoe por ter me ajudado!
Sinceramente, Mrs. Nat King Cole"
-
Terceira lição: Numa época em que um sorvete custava muito
menos do que hoje, um menino de 10 anos entrou na lanchonete de um hotel e
sentou-se a uma mesa. Uma garçonete colocou um copo de água na frente dele.
- "Quanto custa um Sundae?" - ele perguntou.
- “50 centavos” - respondeu a garçonete.
O menino puxou as moedas do bolso e começou a
contá-las.
- "Bem, quanto custa o sorvete simples?" -
perguntou o garoto.
A essa altura, mais pessoas estavam esperando por
uma mesa e a garçonete perdendo a paciência...
- "35 centavos" - respondeu ela, de
maneira brusca.
O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse:
- "Eu vou querer, então, o sorvete
simples".
A garçonete trouxe o sorvete simples, a conta,
colocou na mesa e foi atender outros clientes. O menino acabou o sorvete, pagou
a conta no caixa e saiu. Quando a garçonete voltou, começou a chorar a medida
que ia limpando a mesa pois ali, do lado do prato, tinham 15 centavos em
moedas... o menino não pediu o Sundae porque queria que sobrasse a gorjeta da
garçonete.
-
Quarta lição: Em tempos bem antigos, um rei colocou uma pedra
enorme no meio de uma estrada. Então, ele se escondeu e ficou observando para
ver se alguém tiraria a imensa rocha do caminho. Alguns mercadores e homens
muito ricos do reino passaram por ali e simplesmente deram a volta pela pedra.
Alguns até esbravejaram contra o rei dizendo que ele não mantinha as estradas
limpas, mas, nenhum deles tentou sequer mover a pedra dali. De repente, passa
um camponês com uma boa carga de vegetais. Ao se aproximar da imensa rocha, ele
pôs de lado a sua carga e tentou remover a rocha dali. Após muita força e suor,
ele finalmente conseguiu mover a pedra para o lado da estrada. Ele, então,
voltou a pegar a sua carga de vegetais mas notou que havia uma bolsa no local onde
estava a pedra. A bolsa continha muitas moedas de ouro e uma nota escrita pelo
rei que dizia que o ouro era para a pessoa que tivesse removido a pedra do
caminho. O camponês aprendeu o que muitos de nós nunca entendeu: "Todo
obstáculo contém uma oportunidade para melhorarmos nossa condição".
-
Quinta lição: Há muitos anos atrás, quando eu trabalhava como
voluntário em um hospital, eu vim a conhecer uma menininha chamada Liz, que
sofria de uma terrível e rara doença. A única chance de recuperação para ela
parecia ser através de uma transfusão de sangue do irmão mais velho dela, de
apenas 5 anos que, milagrosamente, tinha sobrevivido à mesma doença e parecia
ter, então, desenvolvido anticorpos necessários para combatê-la. O médico
explicou toda a situação para o menino e perguntou, então, se ele aceitava doar
o sangue dele para a irmã. Eu vi ele hesitar um pouco, mas, depois de uma
profunda respiração ele disse: - "Tá certo, eu topo... Se é para
salvá-la...". À medida que a transfusão foi progredindo, ele estava
deitado na cama ao lado da cama da irmã e sorria, assim como nós também, ao ver
as bochechas dela voltarem a ter cor. De repente, o sorriso dele desapareceu e
o garotinho empalideceu... Olhou para o médico e perguntou com a voz trêmula:
"Eu vou começar a morrer logo?". Por ser tão pequeno e novo, o menino
tinha interpretado mal as palavras do médico, e pensou que teria que dar todo o
sangue dele para salvar a irmã!
"Trabalhe como se você não precisasse do
dinheiro, ame como se você nunca tivesse se machucado e dance como você
dançaria se ninguém estivesse olhando"
Quem escreveu estas lições não se identificou, mas,
agradeço por tê-las escrito e compartilhado com todos. Elas demonstram a
prática da fé, a qual muitas vezes está oculta em fachadas e aparências, “sepulcros
caiados”, como diria Jesus. Lenny Bruce disse que “cada vez mais as pessoas
estão deixando as igrejas e se voltando para Deus”. Isto parece identificar a
repulsa à hipocrisia religiosa. De que nos vale cantarmos, orarmos e chorarmos
se as nossas almas estão secas e as nossas vidas vazias de exemplos? Será que
ser cristão é fazer algo para que os outros vejam a nossa grandeza ou fazer
algo para Jesus veja a nossa obediência? O que será mais importante: receber os
aplausos dos homens ou o abraço de Deus? O devocional cristão sempre atrai
vários assuntos, nos levando a refletir no fruto que estamos colocando:
Mateus 12:33: Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto
bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a
árvore.
É o fruto que demonstra aos demais a qualidade de
nossas raízes. É até possível colocarmos em nossas árvores alguns
fertilizantes, polirmos os frutos com alguns produtos, oferecermos em bandejas
douradas, a fim de que no final aparentem ser de ótima qualidade. Mas, ninguém
come a casca. É por dentro que interessa. É o sabor, a qualidade, o paladar que
importa a quem o consome. Da mesma forma podemos aparentar sermos ótimos
cristãos na sociedade, parecermos fervorosos, íntimos de Deus, quando, na
verdade, a nossa família nos reprova. Quando, na verdade, não somos bons pais,
bons filhos, boas mães, bons irmãos.
Ganhar a admiração de estranhos não é tão importante
quanto adquirir o respeito no próprio lar. Mesmo nas igrejas invertemos nossos
padrões. Queremos que as pessoas nos aceitem sem que, para tanto, tenhamos em
casa o mesmo exemplo e padrão que transparecemos a estranhos. O Cristianismo
não é uma filosofia que se adota, discute e separa apenas o que nos agrada. O
Cristianismo ou é a verdade ou é uma grande mentira. Inexiste um meio termo.
Igrejas não são locais criados para que nos sintamos bem e a vontade. Igrejas
são agremiações, quartéis, locais nos quais o povo de Deus se reúne para traçar
planos e metas para alcançar o mundo para Cristo, para travar batalhas
ferrenhas contra o inferno.
Esta luta, esta reunião, começa em casa. Começa
quando nos tornamos exemplo para os nossos filhos, nossos pais, nossos esposos
e esposas. Começa quando aprendemos a valorizar o lar e a família que Deus nos
deu. Quantas vezes só valorizamos o que tínhamos depois que perdemos? Dizemos a
nós mesmos que éramos mais felizes no passado. Isto é porque as coisas passam
de forma tão depressa que não nos apegamos a elas, só as lembramos com grave
saudosismo. Por que perder para reconhecer? Por que nos importamos tanto com
coisas passageiras e pouco com aquilo que realmente necessita ser valorizado?
Pode ser que a sua família não seja perfeita, mas,
as imperfeições de sua família não justificam a sua ingratidão. Vivemos de
maneira tão competitiva que estamos sempre olhando para o que os outros
possuem. Elogiamos os estranhos sem conhecer a intimidade deles. Do lado de
fora todo mundo é perfeito. Apenas quando compartilhamos os mesmos lençóis e o
mesmo banheiro é que conhecemos razoavelmente alguém. Passe a valorizar o que
você tem. O que você tem é aquilo que Deus achou que você mereceria. Seja pouco
ou muito, bom ou ruim, perfeito ou imperfeito, é o que te faz bem. Preste
atenção na sua casa. É mais fácil amar quem está longe do que quem está perto.
É amando a nossa casa que exercemos o amor de Cristo. É amando tal como é, tal
como está, tal como Deus nos entregou. É uma missão, a maior missão, cuidar
daqueles que nos cercam. Olhar sempre com ternura, falar sempre com paixão.
Seria inviável encerrar este devocional apenas com as minhas palavras. Da
internet, também, se divulga:
Dois irmãozinhos brincavam em frente de casa,
jogavam bolinhas de gude. Quando Julio o menino mais novo disse ao irmão
Ricardo: “Meu querido irmão, eu te amo muito e nunca quero me separar de você!”.
Ricardo sem dar muita importância ao que Julio disse, pergunta: “O que deu em
você moleque? Que conversa besta e essa de amar? Quer calar a boca e continuar
jogando?”. E os dois continuaram jogando a tarde inteira ate anoitecer. A noite
o senhor Jacó, pai dos garotos chegou do trabalho, estava exausto e muito mal
humorado, pois não havia conseguido fechar um negocio importante. Ao entrar
Jacó olhou para Julio que sorriu para o pai e disse: “Olá papai, eu te amo
muito e não quero nunca me separar do senhor!”. Jacó no auge de seu mal humor e
stress disse: “Julio, estou exausto e nervoso, então, por favor, não me venha
com besteiras!”. Com as palavras ásperas do pai, Julio ficou magoado e foi
chorar no cantinho do quarto. Dona Joana, mãe dos garotos sentindo a falta do
filho foi procurá-lo pela casa, ate que o encontrou no cantinho do quarto com
os olhinhos cheios de lágrimas. Dona Joana espantada, começou a enxugar as
lágrimas do filho e perguntou: “O que foi Julio, porque choras?”. Julio
olhou para a mãe, com uma expressão triste e lhe disse: “Mamãe, eu te amo muito
e não quero nunca me separar da senhora!”. Dona Joana sorriu para o filho e lhe
disse: “Meu amado filho, ficaremos sempre juntos!”. Julio sorriu, deu um beijo
na mãe e foi se deitar. No quarto do casal, ambos se preparando para se deitar,
Dona Joana pergunta para seu marido Jacó: “Jacó, o Julio esta muito estranho
hoje, não acha?”. Jacó muito estressado com o trabalho disse a esposa: “Esse
moleque só está querendo chamar a atenção.”. Então, todos se recolheram e todos
dormiam sossegados. As 2 horas da manha, Julio se levanta vai ao quarto de seu
irmão Ricardo e fica observando o irmão dormir. Ricardo incomodado com a
claridade acorda e grita com Julio: “Seu louco, apaga essa luz e me deixa dormir!”.
Julio em silêncio obedeceu o irmão, apagou a luz e se dirigiu ao quarto dos
pais. Chegando ao quarto de seus pais, acendeu a luz e ficou observando seu pai
e sua mãe dormirem. O senhor Jacó acordou e perguntou ao filho: “O que
aconteceu Julio?”. Julio em silêncio só balançou a cabeça em sinal negativo,
respondendo ao pai que nada havia ocorrido. Então, o senhor Jacó irritado
perguntou a Julio: “Então o que foi moleque?”. Julio continuou em silêncio.
Jacó já muito irritado berrou com Julio: “Então vai dormir seu doente.”. Julio
apagou a luz do quarto se dirigiu ao seu quarto e se deitou. Na manhã seguinte
todos se levantaram cedo, o senhor Jacó iria trabalhar, a dona Joana levaria as
crianças para a escola e Ricardo e Julio iriam a escola. Mas, Julio não se
levantou. Então, o senhor Jacó que já estava muito irritado com Julio, entra no
quarto do garoto e grita: “Levanta seu moleque vagabundo.” Julio nem se mexeu.
Então, Jacó avança sobre o garoto e puxa com forca o cobertor do menino, já com
o braço direito levantado, pronto para lhe dar um tapa, quando percebe que
Julio estava com os olhos fechados e que estava pálido. Jacó assustado colocou
a mão sobre o rosto de Julio e notou que seu filho estava gelado. Desesperado
Jacó gritou chamando a esposa e o filho Ricardo para ver o que havia acontecido
com Julio. Infelizmente o pior. Julio estava morto e sem qualquer motivo
aparente. Dona Joana desesperada abraçou o filho morto e não conseguia nem
respirar de tanto chorar. Ricardo, desconsolado, segurou firme a mão do irmão e
só tinha forcas para chorar também. Jacó em desespero soluçando e com os olhos
cheios de lágrimas, percebeu que havia um papelzinho dobrado nas pequenas mãos
de Julio. Jacó, então, pegou o pequeno pedaço de papel e havia algo escrito com
a letra de Julio. Dizia: "Outra noite Deus veio falar comigo através de um
sonho, disse-me que apesar de amar minha família e de ela me amar, teríamos que
nos separar. Eu não queria isso, mas, Deus me explicou que seria necessário.
Não sei o que vai acontecer, mas, estou com muito medo. Gostaria que ficasse
claro apenas uma coisa: Ricardo, não se envergonhe de amar seu irmão. Mamãe, a
senhora é a melhor mãe do mundo. Papai, o senhor de tanto trabalhar se esqueceu
de viver. Eu amo todos vocês."
Procure ser aprovado entre o seu rebanho, o seu
próprio pasto. Procure valorizar os momentos mais ínfimos. Eles podem
significar pouco para você, mas, será imenso para quem recebe. Lembre-se que
essa sua realidade pode mudar iminentemente. Você não pode garantir certezas
para o amanhã:
“Há um período em que os pais vão ficando órfãos de
seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós, como
árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida.
Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas
não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente. Um dia,
sentam-se perto de você e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que
não pode mais trocar as fraldas daquela criatura. Onde é que andou crescendo
aquela danadinha que você não percebeu? Cadê a pazinha de brincar na areia, as
festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal? A
criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil.
E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas
cresça, mas apareça! Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam
esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos. Entre hambúrgueres e
refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua
geração: incômodas mochilas da moda nos ombros. Ali estamos, com os cabelos
esbranquiçados. Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos
golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas. E eles
crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.
Principalmente com os erros que esperamos que não repitam. Há um período em que
os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos
nas portas das discotecas e das festas. Passou o tempo do ballet, do inglês, da
natação e do judô. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas
próprias vidas. Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvirmos
sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os
adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas
coloridas e discos ensurdecedores. Não os levamos suficientemente ao
Playcenter, ao shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não
lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado. Eles
cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto. No princípio, subiam a
serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos,
natais, páscoas, piscina e amiguinhos. Sim, havia as brigas dentro do carro, a
disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim. Depois chegou
o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois
era impossível deixar a turma a os primeiros namorados. Os pais ficaram
exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente,
morriam de saudades daquelas "pestes". Chega o momento em que só nos
resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha
desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de
felicidade. E que a conquistem do modo mais completo possível. O jeito é
esperar: qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e
estocado, não exercido nos próprios filhos, e que não pode morrer conosco. Por
isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os
netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso é
necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam. Aprendemos a ser
filhos depois que somos pais. Só aprendemos a ser pais depois que somos avós...Affonso Romano de Sant'Anna
Eu espero que você não se espante com o alarido da
multidão e se ensoberbeça com os aplausos. Aqueles que te aplaudem hoje, quando
as águas turvam, não permanecem ao teu lado ajudando a levar o teu barco em
segurança até o cais. Jesus falou destas pessoas que se iludem com a aceitação
da massa:
Mateus 7:22: Muitos me dirão naquele dia: Senhor,
Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos
demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
Mateus 7:23: E então lhes direi abertamente: Nunca
vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.
Perceba, são pessoas que vivenciaram o exercício do
ministério. Pessoas que estavam mais preocupadas com a popularidade que tinham
do que com a própria salvação. Aquelas pessoas que tinham dons, que fizeram
maravilhas, que possuíam seguidores. Porém, por dentro, seus frutos eram
podres. De nada vale alcançar o favor de estranhos se o resultado disto for a
rejeição Divina. De nada adianta cuidar das coisas de Deus, exercer uma
atividade eclesiástica, secundarizando a vida familiar. Eu espero que estas
lições permaneçam ativamente em seu coração.
JANSEY
AS PARÁBOLAS DE LUCAS
Como alguns sabem, estou ministrando as parábolas de Lucas, aquelas que são peculiares a este evangelho. Trata-se de um estudo detalhado da cultura da época e o que levou Jesus a utilizá-las, bem como a avaliação do efeito que as mesmas tiveram sobre os ouvintes. Abaixo eu trago alguns resumos das aulas que tenho ministrado. De fato, são resumos e nada detalhado. Estamos para começar duas turmas de seminário, em duas igrejas que já estão organizadas para isso, com o bacharel em no máximo 02 anos, com aulas de 15 em 15 dias, e diploma reconhecido pelo MEC, e isto nos tem absorvido. Ademais, não saber dos detalhes mais profundos das aulas, faz com que reste aquela curiosidade. Espero que os leitores gostem.
LUCAS 14:15-24
INTRODUÇÃO:
Sempre que a Bíblia fala em banquete, no sentido de parábola, alegoria ou
profecia, está se referindo às bodas, ao encontro do Noivo com a Sua noiva.
Aqui, é deste banquete que Jesus trata, do banquete último que reúne os salvos
de todos os cantos da terra, uma grande reunião para a qual apenas os que foram
convidados podem comparecer (Salmos 23:5; Isaías 25:6-9).
ELUCIDAÇÃO:
Inicialmente o que notamos é um duplo convite. É feito um convite que depois é
refeito. Isto era, e em alguns locais ainda é, por demais normal. O primeiro
convite é a confirmação de quantos convidados estarão presentes. O segundo
convite é o aviso de que a comida já está preparada e todos podem comparecer. Na
prática o que é feito é fazer o convite para a festa. Quando o hospedeiro sabe
quantos irão comparecer, então, prepara a comida para aquele número de
convidados. Assim, quando a comida está pronta, o hospedeiro avisa para que os
convidados possam ir e iniciar a festa. A vergonha, então, que sofre esse
hospedeiro da parábola é inimaginável. Ele foi publicamente ultrajado, pois,
convidou, preparou a comida e, quando todos tinham de comparecer, não foram,
deixando o hospedeiro padecer constrangimento público com a desonra causada
pelos convidados.
A
PARÁBOLA: Todas as desculpas são mentiras. A primeira, porque quando se
adquiria propriedade rural naquela época se comprava com tudo o que havia nas
terras, ou seja, como dizemos no Brasil “de porteiras fechadas”. Ninguém iria,
portanto, olhar as terras depois que o negócio já estava fechado. A questão era
tão curial que até o registro histórico e pessoal do imóvel era passado ao
comprador. Porventura, se houvesse qualquer pendência, a resolução seria para o
dia seguinte e, uma vez fechado o negócio, não poderia jamais ser desfeito. De
todo modo, a festa só começava após o expediente, o que não justificava deixar
de estar com os amigos para verificar uma propriedade. O que o primeiro
convidado diz com isso é que as terras, o dinheiro, seus negócios, eram mais
importantes que a amizade com o hospedeiro. O segundo mente, igualmente, porque
as juntas de boi só eram vendidas no mercado ou sob horário marcado na
propriedade do vendedor. Quer dizer, no mercado, em um canto específico, era
feito um cercado no qual as juntas eram testadas, pois, ninguém compraria um
par de bois que não soubessem andar conjuntamente e puxar o arado. Caso as
juntas estivessem a venda na propriedade de alguém, era feito o anúncio verbal
e, no horário marcado e combinado, todos os interessados compareciam para
testar os bois. O negócio só seria fechado após as juntas serem experimentadas,
e não antes. Desta maneira, ninguém compraria as juntas antes de testá-las. O
convidado dizia, com isso, que havia coisas mais importantes do que ir a
festividade. O último traz a pior de todas as desculpas. Ele utiliza algumas
expressões no grego que transparecem a idéia de que para ele era melhor ter
relações sexuais com a mulher do que ir a festa. O casamento não era no dia da
festa porque nenhuma aldeia comportaria duas grandes festividades no mesmo dia.
O fato de mencionar a mulher (pois ele diz que precisava estar com sua MULHER)
demonstrava sua rudeza. A sociedade judia não menciona a mulher em meio aos
homens, pois, é desonroso. A questão é tão forte que, se um pai daquela época
viajasse e não tivesse um filho homem no lar, sendo casado e tendo apenas
filhas moças, ele escrevia a carta ao filho que ainda nasceria, mas, não
escrevia às mulheres da casa. O terceiro, então, informa que o prazer carnal
era maior que a comunhão com o hospedeiro.
A
APLICAÇÃO: Os convidados acreditavam que a festa jamais se daria sem a presença
deles. Eles estavam enganados. Não apenas se daria como o hospedeiro recebeu os
proscritos na qualidade de convidados. A mensagem é clara. Jesus estava falando
da hipocrisia espiritual de Israel e do apego que as pessoas têm às coisas
deste mundo. Ao mesmo tempo, Jesus diz que, se não O ouvirem, a reunião se dará
da mesma forma. Outras pessoas ocuparão o lugar que era deles, mas, o
hospedeiro não passará tamanha vergonha. O lugar não pode estar vazio, e não
apenas por causa da salvação, mas, para que os convidados não chegassem à uma
festa e percebessem que a festa não era para eles, mas, para outros. Por isso,
Ele não recebe na qualidade de proscritos, mas, como se fossem os verdadeiros
destinatários da festa.
LUCAS
15
INTRODUÇÃO:
A ovelha perdida, a moeda perdida e os dois filhos perdidos constituem as mais
ricas parábolas da Bíblia. A parábola do filho pródigo (os dois filhos
perdidos) é chamada de o evangelho dentro do evangelho. Nestas parábolas Jesus
demonstra toda a Sua genialidade e aplica o amor de Deus de maneiras
riquíssimas e intransponíveis, de forma que qualquer ouvinte de Sua época
entendia claramente as comparações que Ele fazia.
1o
– A OVELHA PERDIDA
ELEMENTOS:
Em todo momento Jesus demonstra que ao Se acompanhar de pecadores Ele
demonstrava a maior aplicação prática possível da graça, com amor e perdão
nítidos. Assim, na construção desta idéia, Jesus compara os fariseus a
pastores, talvez, porque pastor era aquela pessoa contratada para cuidar do
rebanho, ou era uma tarefa muito simples dada a um familiar menos favorecido.
Jamais um fariseu se tornaria um pastor de ovelhas, até porque os pastores eram
mau vistos, em detrimento de as ovelhas se alimentarem nos campos de qualquer
pessoa. Quando Jesus conta a parábola Ele o faz no sentido de um pastor que
está cuidando de um rebanho que não é seu. Provavelmente, vários rebanhos de
vários proprietários e, com certeza, acompanhado por outros pastores, pois,
quando a ovelha se perde ele imediatamente deixa as demais e ao regressar já
retorna para a aldeia com a ovelha nas costas, demonstrando que as demais foram
guiadas pelos outros pastores. Não socorrer a ovelha perdida faria com que o
pastor indenizasse o proprietário pela perca, e isso não poderia enquadrar-se
em seu orçamento.
APLICAÇÃO:
A mensagem é clara. A ênfase está na alegria da restauração. A obra não termina
quando a ovelha é encontrada, mas, quando a ovelha é restaurada. Jesus ensina
aos fariseus que a ênfase não é cuidar das ovelhas encontradas, mas, procurar e
restaurar as perdidas. A verdadeira alegria não está em apascentar o rebanho,
mas, em atrair ao aprisco as desgarradas. Jesus rebate os fariseus explicando
que a ênfase ministerial é ir aos perdidos. É o pastor quem cuida e trata suas
ovelhas. É de sua responsabilidade, carregando-as quando preciso.
2o
– A MOEDA PERDIDA
ELEMENTOS:
Esta moeda traz uma grave redução de proporções. Na parábola da ovelha é uma
que se perde de cem. Na parábola da moeda é uma que se perde de dez. É algo
que, com muito esforço, se pode achar. Uma moeda perdida em tempos de cativeiro
faz muita diferença. O povo pagava tributo e vivia opresso. Perder qualquer
centavo faria grave diferença no orçamento. Jesus, assim, utiliza uma mulher.
Ele O faz para que o povo assimile a importância daquela moeda. A moeda,
decerto, tratava-se de um pingente de colar. A mulher deve ter perdido uma moeda
que fazia parte de um colar, pois, era comum que naquela época fizessem colares
com moedas e, em um colar de moedas, a ausência de uma seria de logo notada. É
por isso que a moeda não tinha uma significância monetária, mas, pessoal.
APLICAÇÃO:
Antes Jesus ensinou que a mensagem do evangelho deveria estender amor a todos
os perdidos. Agora, Jesus pergunta como vão as coisas dentro de casa. O amor do
evangelho deve se manifestar dentro de casa. O fato de a moeda ter um valor
representativo maior que o monetário demonstra que era alguém próximo que ainda
estava perdido. Jesus estava perguntando aos fariseus se aquela vida espiritual
deles estava se manifestando dentro de casa. Por fim, Jesus conclui que, se
houver amor e dedicação, o maior dos perdidos será encontrado.
3o
– OS DOIS FILHOS PERDIDOS
ELEMENTOS:
Costumeiramente chamamos esta parábola de “o filho pródigo”. Na verdade, é um
título equivocado. Por algumas razões veremos que ambos os filhos estavam
perdidos. É preciso entender que o pai destes filhos não É Deus, é um homem
comum. É o amor fático do pai que, na parábola, representa o amor de Deus pela
humanidade. Quando o filho pede a sua parte da herança, ele está pedindo que o
pai morra. Naquela sociedade um filho só recebia a herança por morte de seu
pai, do patriarca da casa. Este filho estava totalmente perdido, mas, o filho
mais velho também. O filho mais velho não demonstra nenhuma manifestação de
indignação com a atitude do filho mais novo, nem de conciliar a relação pai e
filho. Isto, talvez, se deva pelo fato de o filho mais velho, também, não ter
boa relação com o irmão mais novo, pois, o filho mais novo vai embora, sequer
consegue conviver com o irmão mais velho. O pai, todavia, demonstra um nítido
amor, um incompreensível amor, pois, não reage, não agride, mas, concorda.
Naquela sociedade o máximo que o pai faria seria repartir os bens em vida, em
detrimento de um novo casamento, por exemplo, mas, os bens ficariam com
usufruto do pai até o dia de sua morte. É por isso que a reação do pai é
estranha, pois, ele teria todo direito de bater em seu filho rebelde, todavia,
concorda com o pedido do filho e dá sua parte. Por causa disto é que nunca
houve registro histórico de que tal atitude tenha jamais acontecido. Nunca, em
toda a história, um pai repartiu o que tinha para dar a herança a um filho
rebelde. O filho que esperasse a morte do pai para receber o que era seu. O
amor do pai é tão grande que aceita a maior das rejeições e o maior dos
ultrajes, até mesmo de quem se ama. A relação daquela família era terrível,
pois, fracassam em tudo. O filho mais novo, então, gasta tudo com meretrizes e
fartura. Ele foi em busca de prazeres mundanos e, quando o dinheiro acaba, ele procura
um emprego no mundo. A situação dele se torna a mais degradantes e inimaginável
possível. Ele vai para o mundo, ser contratado por ímpio mundano, para cuidar
de porcos. Tudo o que um judeu jamais faria. Ele trocou o que era santo pelo
que era impuro. A miséria em sua vida é tamanha que ele passa a se alimentar
daquilo que os porcos rejeitavam. As alfarrobas não eram alimentos de porcos,
mas, os carrapichos que caiam das plantas nas quais os porcos se coçavam. Ele
comia o que nem porcos engoliam.
APLICAÇÃO:
O jovem, em meio aquela tribulação, não se arrepende. Ele bola um plano para
sair daquela condição miserável. Ele premedita tudo e planeja como seria o
encontro com seu pai a fim de poder, ao menos, se alimentar condignamente. A
reação do pai deixa o jovem sem palavras, pois, o pai sai correndo assim que o
vê. O pai faz isso porque o jovem renunciara a sua parte da herança e
envergonhara publicamente o pai, assim, se qualquer dos servos de seu pai o
vissem antes de o pai alcançá-lo, aquele jovem poderia ser apedrejado ou
expulso da propriedade. Por isso, o pai o abraça, o beija e põe o anel,
simbolizando que ele ainda era seu filho, e que ainda tinha parte na herança.
Assim, ninguém o agrediria. O filho mais velho estava trabalhando no campo. O
pai não o chama. Ele faz isso para que não despertasse ciúme e o filho mais
velho não estragasse o banquete. Por isso, o filho só surge quando ouve o som
das celebrações. Ao reagir com inveja, o filho mais velho demonstra que estava
tão perdido quanto o filho mais novo. O pai diz ao filho mais velho que aquele
jovem perdido era seu irmão, ou seja, aquele pecador era, também, seu irmão.
Jesus quer dizer que aquele filho mais velho são os fariseus que não
compreendem o amor de Deus pela humanidade e, apesar de estar sempre a serviço
de Deus, não são capazes de demonstrar amor ou misericórdia. A mensagem cai
diretamente e certeira nos ouvidos dos fariseus. Eles sabiam que eram, na
verdade, maus filhos. Estavam ali apenas porque tudo era deles, mas, não tinham
o interesse de dividir. A alegria do reino, novamente, está na alma que
retorna, seja de fora (ovelha perdida), seja um parente (moeda perdida), seja
quem já era filho (os dois filhos perdidos).
CONCLUSÃO: Maravilhosamente Jesus reduz a proporção dos perdidos. Ele sai da
multidão dos de fora, para o grupo familiar e, por fim, entre a pequena
família. Entre pai e filho. Todos são dignos de misericórdia, mas, há maior
alegria por um pecador que se arrepende.
LUCAS
16:1-13
INTRODUÇÃO:
Por muitos esta é a mais difícil das parábolas. Para Bultmann ela era inconclusiva. Isto se deve porque Jesus utiliza
de advertências para com as pessoas que pensam que podem barganhar com Deus.
Ele traz orientações que, para os ouvintes, parecem sérias, mas, são
advertências cênicas, que levam o ouvinte a ponderar a situação em que se
encontra.
ELEMENTOS:
Este mordomo representava os interesses do proprietário. Ele era um
administrador assalariado (pois é demitido) e que recebia taxas por cada
negócio fechado. O que texto deixa a entender é que ele recebia propinas ou
cobrava por fora de suas funções, aproveitando-se do poder que lhe fôra
outorgado. Naquela época havia três tipos de arrendatário: o meeiro – que
dividia sobre a produção; o arrendatário – que pagava um percentual fixo sobre
a colheita; e o inquilino – que utilizava as terras e pagava em dinheiro. Na
parábola Jesus trata de arrendatário. Estes arrendatários não sabiam dos crimes
cometidos pelo mordomo, e nem o proprietário sabia até tomar conhecimento,
pois, se qualquer das partes soubessem, eles seriam desonestos, pois, estariam
fazendo negócios ilícitos às custas de uma das partes. Os contratos só eram
firmados com a assinatura de ambas as partes, o que significa que ambos
deveriam saber dos acordos propostos pelo mordomo, o que deixa claro que
ninguém sabia que o mordomo estava a fazer coisas ilícitas. Até que pessoas de
fora desta relação (talvez, servos ou conservos do proprietário ou do próprio
mordomo) comunicam ao proprietário. Quando o proprietário toma conhecimento,
demite imediatamente o mordomo. Porém, antes de os arrendatários serem
notificados de que o mordomo não detinha mais poderes para representar o
proprietário, o mordomo começa a faze negócios estranhos para granjear amigos.
Ao que tudo indica, o mordomo cobrava percentuais maiores na colheita sem que
os arrendatários soubessem que ele estava onerando o pagamento. Por isso, ele
reduz os pagamentos e manda que cada um anote com a própria caligrafia, com
isso, o mordomo não se envolvia nos negócios escusos (pois, a caligrafia era
dos arrendatários) e os arrendatários pensavam que o mordomo o fizera por ordem
o proprietário (pois, ainda não sabiam que ele tinha sido destituído de seu
cargo). Note quão habilidoso ele foi, pois, chama cada arrendatário individualmente,
a fim de não causar conversas entre eles e ser desmascarado. Quando ele altera
os livro caixa ele não está corrigindo seus erros, ele está se prejudicando
ainda mais diante do proprietário, pois, afinal de contas já estava mesmo
demitido e, agora, precisava de um emprego. Ele não conseguia plantar e nem
trabalhar braçalmente, pois, se era administrador das propriedades, com certeza
era alguém culto e parente do proprietário e que nunca trabalhara com as mãos.
Ele não mendigaria, também, para não ser ridicularizado por já ter gozado de
alta posição. Desta forma, ele arma um plano que é elogiado pelo proprietário.
Ele faz com que pareça que o proprietário baixou a cota do arrendamento, e faz
com que o proprietário não possa desfazer o negócio, haja vista que foi anotado
pelos próprios arrendatários. Desfazer, faria o proprietário de avarento. O
elogia, todavia, não é porque o mordomo fez algo bom, mas, porque com certeza
seria bem recebido em outra casa por sua astúcia, granjeando amigos injustos e
iníquos, e levando esta iniquidade até o além. Quando Jesus diz que os amigos o
receberiam nas moradas eternas, não é do céu que Jesus fala, mas, do inferno. A
coisa sai muito sútil, pois, se as pessoas soubessem que o mordomo já era
demitido quando fez o negócio, os arrendatário não celebrariam o negócio, já
que pareceriam injustos ao proprietário. Ainda que as dividas não estivessem
vencidas, eram vincendas, a cota de contribuição decaíra, o que era muito bom
para os arrendatários. O fim deles, todavia, é o inferno.
APLICAÇÃO:
Jesus, com isso, demonstra aos fariseus que eles eram injustos, apegados a este
mundo, apegados ao dinheiro e mais dados aos prazeres da vida que aos valores
eternos. É por isso que Jesus conclui com um ensinamento sobre o dinheiro,
atribuindo Mamom, como um deus ao qual ninguém poderia servir conjuntamente ao
verdadeiro Deus. O dinheiro só traz infidelidade e apego existencial. As
pessoas se tornam infiéis e, sendo infiéis, não podem ter confiadas as
verdadeiras riquezas.
LUCAS
17:7-10
INTRODUÇÃO:
Aqui os discípulos estavam aprendendo acerca do que era servir no ministério.
Jesus, então, inicia dizendo que no serviço do ministério não deve haver
escândalo e o amor deve ser ininterrupto e estar acima de tudo. Os discípulos
acham muito forte estas palavras. Jesus diz que a pessoa que causasse escândalo
deveria amarrar uma pedra no pescoço e se jogar em um rio, para nunca mais ser
achado ou aparecer. Quando fala de perdão, Jesus ensina que deveria ser
constante, ilimitado e diário. Ele utiliza o número sete como símbolo de
perfeição. E, como os discípulos acham aquilo duro demais, Ele ainda É mais
duro.
ELEMENTOS:
Jesus conta a parábola de um servo que estava trabalhando e ao voltar do campo
ainda tem de preparar a mesa do seu senhor. Isto dói na mente do homem moderno
porque ele não consegue entender a escravidão. Naquela época muitos tinham
servos em suas casas, até mesmo as pessoas que não eram muito ricas, porque as
pessoas miseráveis corriqueiramente mandavam os filhos para se tornarem servos,
a fim de que pudessem ao menos ter uma refeição. Por isso que Jesus se dirige
aos discípulos, pois, mesmo os discípulos tinham seus servos. O pai de Tiago e
João, Zebedeu, era mero pescador, mas, tinha servos ao dispor. Aqui, contudo,
Jesus faz questão de distanciar essa relação de servo e senhor. Jesus demonstra
que Deus É Deus e está acima do servo. Jesus já dissera que os discípulos eram
Seus amigos (João 15:15), mas, aqui, o servo não é maior que o Senhor (João
15:20). Jesus quer que os discípulos entendam a condição na qual se encontram,
de apenas servos.
APLICAÇÃO:
Ao fazer isso, Jesus explica que, ao cumprir suas tarefas, o servo nada mais
faz senão a obrigação que lhe foi dada a fazer. Isso não é mérito algum, não é
para se agradecer. O servo, então, diz que é inútil. Este termo é mais
corretamente interpretado como dispensável. O que o servo quer dizer é que nada
tem nele de especial, porque só cumpre suas tarefas. Ao chegar do campo e ir
preparar a ceia parece algo terrível, mas, primeiro, esta ceia não é
vespertina, é uma refeição à tarde, por volta das 15 horas, segundo, o Senhor
mostra que o dever de servo é servir primeiro, e alimentar-se depois. Jesus
quer dizer que Ele É o centro de tudo, que Deus É a razão de nossas vidas. Ele
É o motivo de estarmos aqui e a razão de ainda existirmos. É por isso que a Ele
a glória, que primeiro o Seu Reino, que devemos servir, pois, o milagre Ele já
fez, que foi nos salvar.
JANSEY
OS DOIS DEVEDORES
Lucas
7:36-50
As
parábolas de Jesus estão sempre permeadas de riqueza. As maiores riquezas,
todavia, permanecem cegas para nós ocidentais, pois, têm relação específica com
a cultura da época. É quase impossível perceber sem uma perfeita exegese. A
exegese inclui a análise do contexto, da realidade cultural, do idioma original,
do idioma falado, dos ouvintes, da perspectiva teológica e doutrinária, enfim,
uma série de correlações que eram facilmente percebidas pelos ouvintes da
época, mas, que não é tão facilmente assim para nós ocidentais.
É
preciso, primeiramente, ter a idéia fixa de que a parábola não é uma alegoria,
mas, uma forma de interpelação que exige uma reação ou interação imediata do ouvinte.
Jesus as lançava em sentido teológico, doutrinário ou, como no caso em tela,
diretamente para alguém específico a fim de que dele ouvisse uma única solução
para a parábola em questão. Em todos os casos as parábolas tinham a mesma
finalidade que era ensinar sobre o Reino de Deus ou como devem se comportar os
filhos de Deus. No caso em análise há uma parábola dentro de uma situação
determinada. Jesus utilizou o momento para ensinar uma pessoa como ela deveria
se comportar se de fato fosse filho de Deus.
A cena se
desenvolve após Jesus pregar. Ele recebe o convite de um fariseu para ir a sua
residência. Estes convites eram comuns na época. Os teólogos judaicos se
reuniam para longos debates teológicos que, por muitas vezes, varava a noite.
Eles eram chamados de Haberim. Durante estes debates as portas da residência
ficavam abertas e as pessoas se aglomeravam para ouvir as discussões, graças a
isso a mulher aparece na cena. Jesus estava participando deste tipo de reunião.
O convite do fariseu não tinha o propósito de reconhecê-lO, tão menos de
confessá-lO como Salvador. O propósito era de confrontá-lO. Jesus aceitou o
convite silente e assim permaneceu todo o tempo, até o momento oportuno. As
afrontas contra Jesus são nítidas desde o início. Era hábito cultural que,
nestas reuniões, os convidados tirassem os calçados ao entrarem na casa e
tivessem os pés lavados pelos servos e, seguindo, fossem beijados na face pelo anfitrião.
Caso o hóspede fosse um mestre, todos os filhos varões do hospedeiro deveriam ir
recebê-lo com beijos. Após, ao ir à mesa, o hóspede seria ungido com óleo de
oliva, tradição passada entre os sacerdotes.
Para
Jesus, nada daquilo foi feito pelo fariseu. Jesus assenta-Se a mesa sem ser
recebido na qualidade de Rabi como fôra convidado pelo Fariseu. As mesas
baixas, rentes ao chão, cercadas de tecidos e almofadas, forçava a pessoa a
debruçar-se sobre os cotovelos colocando os pés - parte discriminada e impura
para a cultura judaica - para trás de si mesmo, deitando-se lateralmente. Jesus
o fez com os pés sujos, sem o beijo do anfitrião, sem para Ele ser direcionado
qualquer tipo de respeito, qualquer atenção. Assim, repentinamente, uma mulher
começa a lavar-Lhe os pés com lágrimas, beijar e enxugar com os próprios
cabelos e, por fim, ungir com um frasco de perfume caríssimo. A ação da mulher
é a reação de alguém genuinamente grato, verdadeiramente convertido. Ela faz o
que o hospedeiro não o fez.
O hospedeiro confronta a ocasião
desdenhando de Jesus, desfazendo de Sua condição de Ungido, e dizendo a todos
que se de fato Jesus fosse profeta saberia quem era aquela mulher que lhe
tocava. O fariseu Simão dá a conotação de que a mulher O "tocava" com
o intuito de com Ele se relacionar sexualmente. A mulher, com certeza, era uma
prostituta. O frasco de perfume caríssimo era, habitualmente, pendurado no
pescoço pelas prostitutas da época para, então, estarem sempre cheirosas aos
clientes, por isso o perfume caro já estava com ela. É certo, também, que a
mulher seguira Jesus após a Sua pregação ou já com Ele se encontrara
anteriormente, pois, sabia onde Ele estaria e chega no local na mesma hora ou antes
dEle, já que realiza o lava pés e Jesus afirma que ela O beija desde que chegou
(verso 45). Como Simão sabia quem era a mulher, então, eles também se conheciam.
Destarte, é mais certo ainda este encontro com Jesus devido às lágrimas deitadas
pela mulher, em nítido quebrantamento. Ela tinha por Jesus o respeito que Simão
não teve.
No auge deste clímax, Jesus conta a
parábola. A parábola é simples, mas, Jesus usa as palavras corretas. Ele usa a
expressão aramaica para devedores. Ele direciona a parábola para Simão e,
quando Simão aceita ouvi-la, é encurralado por Jesus. A parábola só tinha uma
resposta e Simão sabia que essa resposta o confrontava diretamente. Ambas as
dívidas são perdoadas, mostrando que Deus não faz qualquer acepção de pessoas.
Porém, Jesus expressa uma realidade: a pessoa que muito pecou e foi perdoado
possui maior capacidade de amar a quem o perdoa. Os sentimentos de dívida e
devoção são maiores. Jesus Estava falando dos dois devedores. O primeiro é
aquele que errou pouco e, por conta disto, acredita que não precisa de perdão.
O segundo é aquele que muito pecou e sabe que precisa de perdão. Simão era do
primeiro tipo e foi diretamente afetado pela parábola. O fariseu Simão se
achava muito correto, muito certo, e, por isso, acreditava não precisar de
Jesus e de nada do que Ele tinha a oferecer, em razão disto O convida apenas
para confrontá-lO. A mulher era do segundo tipo. Pecou demais, errou demais e,
mesmo assim, teve os seus pecados perdoados.
O sentido é perdão - amor. Ama-se
depois de ser perdoado. Como Simão não se achava necessitado de perdão, não era
capaz de amar. É tão nítida a superficialidade de Simão que, mesmo diante de
cena tão indescritível, ele ainda chama a mulher de pecadora (verso 39). Em
contrapartida, aquela "pecadora" derramou todo o seu perfume. Ela
demonstrou publicamente que não precisava mais daquele perfume, que não iria
mais usá-lo, que mudara de vida. Todos estes fatos não alcançam o coração de
Simão. Jesus, então, Estava a dizer que a espiritualidade de Simão e toda a sua
religiosidade não o fizera um homem capaz de perdoar. Ele era insensível e
incapaz de perdoar um pecador que, na mais pura verdade, era tão pecador como
ele. Aquela mulher que desfrizara os cabelos (por muito menos o talmude
aconselhava os homens a se divorciarem), demonstrou toda sua gratidão Àquele
que foi capaz de lavar-lhe a alma.
Jesus,
então, começa a falar com Simão, enquanto
olhava para a mulher. Em meio àquela sociedade preconceituosa com o estado
da mulher, Jesus desmoraliza o anfitrião. Jesus diz que aquela mulher era mais
digna que Simão. Aquela prostituta soube reconhecê-lO, Simão não. Ao longo da
situação e da parábola nascem três verdades, a saber, os dois tipos de
pecadores, os dois tipos de hóspedes e as duas naturezas de amor. O primeiro pecador,
apesar de ser pecador, acha que não precisa de perdão; o segundo pecador,
sabendo que é pecador, sabe que só o perdão pode salvá-lo. O primeiro hóspede,
sendo anfitrião e se dizendo religioso conservador dos desígnios de Deus, não
reconhece Deus nem Ele estando em sua frente; o segundo hóspede, não sendo
hóspede, reconhece-O e recebe-O com todas as honras e méritos que Ele merece. O
primeiro amor é superficial, baseado em arquétipos, um amor que só ama aquilo
que é bom aos seus olhos; o segundo amor é puro e amar independente da natureza
do pecador. O segundo será sempre exaltado. Em nada importando o histórico daquela
mulher, ela foi honrada na presença de todos, pois, quando Deus nos alcança,
quando Cristo nos inunda, tudo de ruim em nós é apagado e perdoado para que
somente Ele possa habitar. É assim que Deus faz e sempre fará conosco.
JANSEY
AUSÊNCIA DE PROPÓSITO
Adoro biografias. Ler detalhes da vida pessoal e das lutas de alguém me alimenta e estimula a prosseguir. Acredito que isso seja fruto da educação que recebi. Ainda novo meu pai me deu uma coleção de biografias como presente de aniversário. Aos oito anos eu já havia lido bastante acerca das personalidades mais influentes do século passado. Desde então, continuei aumentando minha coleção. O meu pai sempre dizia que devíamos absorver o melhor de cada pessoa e eu procurava colocar isso em prática. Evidentemente, não deixei faltar biografias de personagens bíblicos em minha coleção. Entre eles, Jó. O personagem cria certa identidade com o leitor. Muito se deve ao fato de sua dor se assemelhar a quase todos os nossos sintomas.
Sabe quando você atravessa determinada situação e, por mais que você se esforce, seja solícito e tenha bondade em seu coração, você não consegue enxergar nada de bom ou proveitoso daquele quadro? Então, alguns se aproximam e te dão conselhos, dizem para levantar a cabeça, que isso vai passar, que tudo vai melhorar, que Deus sabe o que você está passando e Ele fará algo a respeito, que a Bíblia diz isso ou aquilo outro? Você ora, se esforça e, mesmo assim, não consegue aprender nada com aquela dor. Por mais cristão que você seja, você se questiona, acha que está perdendo a fé, perde a esperança, perde a credibilidade em si mesmo. De todos os conselhos dos que se achegam nos momentos de crise, o único verdadeiro é que você não é o único. Tudo isso aconteceu, também, com Jó.
Jó tinha de tudo. Propriedade, família, filhos perfeitos, terras produtivas, animais. Repentinamente, perdeu tudo, inclusive a família. Nem a esposa ficou ao seu lado. Jó ficou literalmente sem amparo e incomparavelmente só. Os “amigos” só criavam teorias e filosofias sobre os seus problemas, nenhum lhe estendia a mão. Aliás, aquelas pessoas só se alimentavam da miséria de Jó, assim como fazem os fofoqueiros que só se aproximam quando querem colher notícias. O mais certo é que todos nos deixam nos momentos difíceis (Marcos 14:50). Aqueles que se rodeavam da fartura de Jó, agora, o escarneciam. Os que sofrem sabem, muito bem, que não existe nada mais irritante do que pessoas considerando a nossa miséria quando tudo o que mais queremos é modificar aquele quadro. Ao invés de auxiliarem, os “amigos” de Jó ficavam cogitando o motivo de aquilo tudo haver lhe sucedido.
Levantar teorias é uma prática até hoje adotada. Por exemplo, alguns estudiosos afirmam que Jó foi o homem mais rico do seu tempo. Eu ainda sou da época de não acrescentar matéria sobre assuntos nos quais a Bíblia silencia (se bem que naquele período quem tivesse terras produtivas e um rebanho de qualquer espécie já seria considerado rico). Outros dizem que o propósito de tudo aquilo foi porque Jó não conhecia bem a Deus, era um religioso e não um servo, o que não é verdade, pois, desde o começo do livro Jó é chamado de servo, ao qual ninguém se igualava (Jó 1:8). Jó era temente ao Senhor e, mesmo que ainda não houvesse a instituição de cultos naquela época, Jó ofertava holocaustos por si e pelos possíveis pecados de seus filhos (Jó 1:5). Além de temente, Jó era um intercessor. Inexistente era a Lei, mas, Jó sabia que era responsável pela vida espiritual de sua família, e velava por todos. Ele era a ovelha que qualquer pastor ou padre gostaria de ter em seu rebanho. Fiel, temente e intercessor. Um homem que praticava a sua fé e guardava em orações toda sua família.
Em momento algum o livro narra que houve qualquer coisa que justificasse os eventos desencadeados na vida de Jó. Do contrário, o mais estarrecedor de tudo isso é que não existe nenhum motivo e nenhum propósito. Os eventos não possuem causa e efeito. Eles são abruptos, fatalistas e acidentais. Eles não provinham de pecado, de infidelidade ou de apostasia. Eles nasciam do interesse de Deus em prova-lo (Jó 1:9-12; 2:3-6). É que muitas vezes ignoramos a vontade de Deus com antropomorfismos, ou seja, criamos um ideal de Deus mais assemelhado ao homem e a esta nossa forma de pensar. Porém, Deus tem Seus propósitos (Isaías 55:8) ainda que eu e você desconheçamos Suas razões ou nela não encontremos propósito. Relevamos corriqueiramente que Deus nos prova (Salmos 11:5), enquanto Satanás nos tenta pelas fraquezas de nossa carne (Mateus 26:41; Lucas 4:13; I Tessalonicenses 3:5). Deus a ninguém tenta (Tiago 1:13).
Estas provações, às quais Deus nos faz atravessar, têm o único objetivo de provar a nossa fidelidade. Elas não demonstram razão alguma, não nos levam a propósito algum, delas não extraímos lições e a maioria só nos aumentará as dores e as vicissitudes desta vida. Contudo, se formos aprovados, tais provações nos fortalecerão a fé. O objetivo de Deus ao nos provar não é nos ensinar alguma coisa, mas, nos conhecer. É do interesse de Deus saber se o amaremos mesmo que Ele nos tome tudo o que nos faz bem e nos propicie conforto, mesmo que Ele nos arranque a preciosidade de nossos corações. Tudo o que Jó passou foi apenas para que Deus tivesse certeza que Jó O amava (Jó 1:20-22; 2:10). Os acontecimentos na vida de Jó são, em mesmo número e grau, idênticos aos que tantas vezes nos deixam sem resposta. É porque a provação não requer explicação, apenas fidelidade. Em momentos de crise culpamos a Deus, porém, Jó não o fez. Em momentos de percas parentais culpamos a Deus, porém, Jó não o fez. Em dificuldades financeiras culpamos a Deus, porém, Jó não o fez.
Com certeza muitos brasileiros estão, no dia de hoje, culpando a Deus pelas tragédias na região serrana do Rio de Janeiro. Ninguém culpa o Diabo. No caso de Jó, por exemplo, os meios utilizados por Satanás para provar a vida de Jó foram TODOS naturais. Os sabeus roubaram o gado e as jumentas de Jó (Jó 1:15); uma chuva de saraivas devastou as ovelhas e os servos de Jó (Jó 1:16); os caldeus roubaram os camelos (Jó 1:17); e um vento derrubou a casa matando a todos os filhos de Jó (Jó 1:18); e, por fim, as enfermidades que apareceram por sobre Jó (Jó 2:7). Tantas vezes esperamos que o Diabo crie meios sobrenaturais de nos afrontar, porém, ele utiliza os mais pueris exatamente para gerar em nós sentimentos que nos levem a culpar a Deus pelas tragédias que nos afligem, e não ao Diabo. Sempre que uma tragédia se abate sobre nós culpamos a Deus, quando elas estão mais propensas a serem obras do Diabo.
É do interesse do Diabo nos destruir (João 10:10; Apocalipse 20:8). Aliás, aos que acreditam que o Diabo não possui poder para matar as pessoas, precisam ler um pouco mais do Apocalipse (Apocalipse 6:4; 6:8). O que ocorre é que a idéia que absorvemos acerca da bondade de Deus exclui automaticamente Sua justiça, Sua vingança e Sua correção. Queremos o melhor de Deus sem que, para isso, Ele precise ferir nosso orgulho e nos mostrar o quão dependente somos dEle. Queremos nos sujeitar a Deus não precisando reconhecer que sem Ele nada somos e nada podemos fazer (João 15:5). É muito fácil ir a igreja quando não se faz preciso confessar e abandonar pecados (Provérbios 28:13). A verdade é que quando Deus quiser e quando bem Lhe convier, Ele provará a nossa fé buscando como resultado a nossa fidelidade. Ao escrever às sete igrejas da Ásia, o anjo do Senhor finda cada mensagem com a mesma advertência: AO QUE VENCER.
Ainda que você não acredite em salvação pelas obras – como eu também não acredito – não é possível misturar qualidades do novo nascimento com soteriologia. Fidelidade faz parte do novo nascimento, é prerrogativa salvívica (Mateus 25:21). É através dos frutos que o novo nascido dá que conhecemos se as raízes das árvores mudaram (Mateus 7:20). A provação é o meio pelo qual Deus – e a igreja - avalia nossos frutos. Por mais que se rejeite este idéia só existem dois caminhos: aceita-la ou adequar a Bíblia ao seu entendimento pessoal. O que infelizmente ocorre é que a fé de muitos não consegue sobreviver a certas verdades. Há pessoas que não suportam ouvir que Deus as prova apenas para saber se permanecerão fiéis. Porém, a história dos relacionamentos de Deus com homens foi sempre assim. Deus provou Abraão, Jacó, Moisés, Sansão, Saul, Davi... Deus provou até ao Seu próprio filho (Mateus 26:38, 39, 42). É a maneira de Deus nos aprovar. É o exame pelo qual, eventualmente, todos havemos de passar. É por isso que eu não quero lhe encher de falsos provérbios, de falsa esperança. O que por enquanto é certo é que a situação vivenciada por Jó é idêntica a de quase todo mundo e esta dor que eu e você vez por outra enfrentamos não possui razão, não possui propósito, não nos trará lições. Contudo, se passarmos por elas, sairemos mais firmes, aprovados e o fundamento de nossas casas estará cada vez mais aprofundado na rocha.
JANSEY
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